⠀⠀⠀⠀⣠⣄⡀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⣴⡇⠀⠀⠀⠘⡇⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⣼⣿⣿⣿⡄⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⢀⡼⣡⣇⠀⠀⠀⠀⣧⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⢠⣿⣿⠟⢻⣿⠤⠖⠒⠚⠉⠉⠉⠉⠉⠉⢩⡟⣹⠋⣿⠉⠉⠛⠒⣺⡤⢄⣀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⢸⣿⡟⠀⢠⣿⡇⠀⢀⡄⠀⠀⠀⠀⠀⠀⣏⣼⣃⣠⣽⡤⠤⢴⠯⣭⠧⢼⣎⡳⣄⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠈⣿⡇⠀⣼⣿⡇⠀⠰⣇⣠⡤⠴⠒⠚⠉⣿⠁⣤⣾⣿⡇⢀⣈⣉⣥⡤⢼⠬⣯⣛⣆⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⡄⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⢻⣧⣼⣿⣿⠧⠒⠋⣏⣄⠀⠀⠀⠀⠀⢹⣀⡿⠿⠛⠉⠉⠁⠀⣀⣴⣾⠾⠓⠲⡯⣧⡀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⢀⣞⣇⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⣠⣿⣿⣿⡟⠀⠀⠀⣇⡿⠃⣀⡤⠴⠚⢹⡇⠀⠀⣀⡠⠖⠚⠉⢀⣀⠤⠖⠚⣹⣋⣏⡟⣦⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⢠⢯⠏⢿⠀⠀⣄⠀⠀
⠀⠀⣴⣿⣿⣿⡟⠀⠀⠀⢀⡫⠖⠋⠁⠀⠀⣠⣤⣧⠴⠋⠁⠀⣀⡤⠚⠉⠀⠀⠀⣰⠃⡽⠣⣏⡧⢧⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⢀⣀⣀⠀⢸⣧⣴⣾⣀⠀⢸⡀⠀
⢀⣾⣿⣿⡿⢻⣷⢀⡤⠞⠉⠀⠀⠀⠀⢀⣼⣿⡿⠏⠀⣀⡴⠛⠁⠀⠀⠀⠀⢀⡴⠁⡴⠁⡼⢸⣷⢸⠀⠀⠀⠀⠈⣧⠀⠀⠀⣀⡠⠔⠚⠉⠁⠀⠀⠀⠈⡇⠉⠁⠀⠉⣑⣧⢄
⣼⣿⣿⠟⠀⣨⣿⣿⣿⣷⣦⡀⢀⣠⠖⠋⠀⠀⢀⣤⠞⠁⠀⠀⠀⠀⠀⣦⣠⠞⢶⡞⠣⣼⢁⡼⢁⡏⠀⠀⠀⠀⠀⢘⣧⠔⠋⠁⢀⡀⣀⡠⠴⠒⠚⢩⣽⡯⠉⠉⠉⠙⠷⠞⠤
⣿⣿⡏⠀⣾⣿⣿⣿⡿⢿⣿⣿⣏⠁⠀⠀⢠⡴⠋⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⢰⠛⢦⠎⢉⠿⣌⡞⢀⡞⠀⠀⠀⢀⡤⠚⠉⠘⣇⣀⠤⠚⣯⠁⠀⠀⣀⣤⠼⠟⠓⠒⠒⠒⠒⢓⠒⠒
⣿⣿⡇⠰⣿⣿⠁⢻⣧⠀⠹⣿⣿⠀⣠⠞⠋⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⡇⢠⢯⣷⡏⢰⢿⢇⠞⠀⣀⠴⠚⠁⠀⢀⣠⡶⢻⡇⠀⢀⡸⡶⠚⠉⠀⢸⡓⣦⣠⠤⠤⠒⠒⢺⡂⢉
⠘⣿⣇⠀⢻⣿⣄⠈⣿⡆⠀⣿⣿⠞⠁⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠱⣮⣸⣋⣰⣋⣤⠾⠒⠉⠀⣠⣆⡠⠖⠋⠹⠤⣞⠴⠚⠁⠀⢻⣀⡤⠖⠊⡏⢸⠇⠀⣀⠤⠔⠺⠟⠈
⠀⠘⢿⣷⣄⡈⠛⠛⢸⣿⣾⡿⠃⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠘⢾⣠⠇⢠⠋⠀⣀⣠⣾⡟⡏⠀⠀⣀⠴⠊⠁⠀⢀⡠⣶⣿⡇⠀⢀⣴⣾⠼⠚⠉⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠈⠙⠛⠿⠿⠟⢻⣯⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠘⢾⢉⠏⠉⠉⠁⣻⢋⣤⡧⠴⠋⢷⡀⢀⡤⠚⠉⠀⠿⠿⣃⠴⠚⠛⠉⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⢀⣀⡀⠀⠈⣿⣇⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠸⣽⠒⠠⠤⠔⣿⠛⠛⠁⠀⣀⡬⢿⠁⠀⠀⠀⣀⡴⠚⠁⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⣰⣿⣿⣿⣆⠀⢸⣿⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⢹⠦⣀⣀⣤⣿⣀⡠⠴⠊⠁⠀⢈⣧⣀⠴⠚⠁⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⢻⣿⣿⣿⠟⢀⣼⡿⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠈⢧⡀⠈⠉⠁⠀⠀⠀⠀⢀⣠⡿⣻⠁⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠈⠛⠿⠿⠿⠿⠋⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠉⠒⠲⠦⠶⠒⠚⠉⠁⠀⠉⠁⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
    
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⣀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⣼⢿⡀⠀⠀⠀⠀⣤⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⣤⣤⣤⣀⣸⠏⠘⣧⠀⠀⠀⠀⠁⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠈⠛⢦⡀⠈⠀⠀⠙⢛⣿⡿⠂⠀⠀⠠⠄⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠦⠀⠀⠀⣰⡏⠀⣀⠀⢸⡏⠁⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⢠⣿⡶⠟⠙⢷⣄⣇⠀⠀⠰⣶⣿⣀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠈⠁⠀⠀⠀⠀⠈⠛⠀⠀⠚⠛⠿⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⣠⣤⣤⣄⣀⣀⠀⠀⠀⠀⠀⡀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠰⠀⠀⠀⠀⢀⣿⠛⠛⠻⠿⣿⣿⣷⡄⠀⠀⠁
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⣀⡀⢸⡏⠀⠀⠀⠀⠀⣼⡿⠁⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⢸⣿⣿⣿⠁⠀⢀⣀⠀⢠⣿⠃⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⣽⠿⠿⠿⣿⣶⣶⡆⠀⠘⠿⠿⠋⠀⠀⢻⣿⣿⣿⡏⠀⠀⠀⠘⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⢰⡟⠀⠀⠀⠀⠀⣸⡇⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠈⠛⠛⠋⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⣾⠁⠀⠀⠀⠀⠀⣿⠇⠀⠀⠀⠀⠀⠀⢀⡄⠀⠀⠀⠀⠀⢀⡄⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⣴⣶⣾⡏⠀⠀⠀⣀⡀⢠⡿⠀⠀⠀⠀⠀⢿⡲⠋⣇⣀⡀⠀⠸⡗⠋⣇⡀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠻⣿⡿⠃⠀⠀⢺⣿⣿⣿⠃⠀⠀⡄⠀⢀⣜⣥⣄⡖⠋⠁⠀⠛⠒⣾⠉⠉⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠈⠙⠋⠁⠀⠀⢰⣿⡄⠀⠀⠀⠈⠛⠀⠀⡀⠀⠀⠈⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⢸⡏⢿⡄⠀⠀⠀⠀⠐⣶⣷⠤⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⢀⠀⠀⠘⠀⢀⣀⣠⣤⡤⠿⠀⠈⠿⠛⢛⣿⠟⠀⠁⠉⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠈⠁⠀⠀⢦⣤⣿⣀⡀⠀⠀⠀⠉⠳⢦⣤⡀⠀⠀⠀⢰⡟⠁⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⡀⡀⠀⠀⠀⣰⠿⢿⡏⠁⠀⢀⡀⠀⠀⠀⣸⠃⢀⣤⣄⡈⣷⡀⠀⠐⠓⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠚⠏⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠁⠀⠀⠀⠁⠀⠀⠀⣿⡴⠛⠁⠉⠛⠾⣧⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠋⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
    
. fls do mês #1 04/02/2026 • #3
አስቴር አወቀ (aster aweke) - የኔ ሆነህ ነው ወይ (yene honeh newy)

algo que me move muito é o processo de descobrir músicas novas e ouvir álbuns completos, posso dizer que é o meu maior passatempo atualmente, e vou utilizar essa página como forma de documentar os meus pensamentos sobre o que ando escutando. acredito que com isso posso mapear melhor os meus interesses e minhas fases musicais através de padrões que podem se repetir, no mês de janeiro acabei não ouvindo tanta coisa nova (pelo menos comparado ao ritmo que estava no final do ano passado), acredito que grande parte se dê pelo fato de ter ficado de férias grande parte do tempo e ter acabado ficando em casa assistindo série, utilizando só os momentos de caminhada ou que cozinho para ouvir música. além de ter viajado para são paulo no meio do mês e ter me ocupado muito o meu tempo com isso.

minha ideia aqui é fazer uma breve apresentação sobre o que achei do álbum em um sentido pessoal, falando sobre minha experiência e os sentimentos que me trouxeram, se ouvirem algo da lista ou quiserem discutir sobre algo podem comentar no meu guestbook, me chamar em alguma rede social ou mandar um e-mail em kikkicities@gmail.com.


todos os ouvidos pela primeira vez do mês!


the zombies - begin here (1965)
Beat, British Rhythm & Blues
spotifyapple musicyoutube


descobri esse álbum após fazer shazam na música “can’t nobody love you” enquanto via um episódio de girls (hbo), decidi ouvir o álbum pois sentia que estava numa energia 60’s e melancolias, nem preciso dizer que não me desapontei. o álbum conta com uma mistura muito bem feita de r&b britânico, rock sessentista e melancolia adolescente, com letras que se concentram em “queria tanto dizer pra ela o quanto a amo” e “ninguém vai te amar como eu te amo… baby”.

o que me surpreendeu no álbum foi como consegui traçar a influência que essa configuração musical teve na inglaterra pelas próximas décadas em atos que ouvia quando eu era adolescente, como arctic monkeys/the last shadow puppets/alex turner ou jake bugg, com destaque para “the age of understatement” do the last shadow puppets, que não esconde a influência beat tanto na sonoridade quanto no estilo visual, com seus mod cuts e terninhos.

ouvi muito esse álbum em minhas caminhadas durante as férias início do mês, logo após a virada do ano quando não aguentava mais ficar em casa assistindo girls e naruto ou indo pro mercado, ele combina muito bem com finais de tarde, temperatura quente, vento forte e um sentimento de melancolia que não está ligado à tristeza, e sim à necessidade de sentir algo.


Sezen Aksu - Allahaısmarladık (1977)
turkish pop
spotifyapple musicyoutube


numa tentativa de ouvir mais álbuns de mulheres depressivas com pitadas de folk (fairuz de outros países) acabei pesquisando e descobrindo sezen aksu, decidi começar por este álbum puramente pela capa, e não me decepcionou. o primeiro álbum de estúdio de uma das principais cantoras contemporâneas turcas é regado de melancolia muito parecida com a que outras cantoras folk da época faziam, em alguns momentos lembrando muito teresa teng (que sou obcecado, talvez por isso tenha gostado tanto).

a instrumentação no álbum é de certa forma simples em alguns momentos, contando apenas com voz, violão, violinos ocasionais e percussão, que é retirada em partes chave para criar tensão e acentuar o tom de dramatização da música. sobre as letras, sezen aksu apresenta uma sinceridade muito bonita, e surpreendentemente possui tradução para inglês disponível na internet

se um dia eu
ne encontrasse em um lugar isolado
tenho tantas, tantas mesmo
coisas para dizer a mim mesma
[...]
anos depois, um dia
eu me deparei comigo mesma
ah, como eu gostaria de não ter me visto
eu não podia acreditar no que via
[...]
nunca mais me vi.
desde aquele dia

(kendi kendime)

num geral acredito que o álbum foi uma boa introdução para o folk pop turco e me deixou curioso para ouvir mais de sezen aksu, alguns dias depois que ouvi allahaismarladik pela primeira vez acabei ouvindo serçe (1978) também, achei interessante, mas o debut da cantora me impactou muito mais, definitivamente quero conhecer mais de sua discografia esse ano.


Sleigh Bells - Bitter Rivals (2013)
Noise Pop, Alternative Rock, electropop
spotifyapple musicyoutube


outro que ouvi após um shazam de girls (hbo), desta vez na música título do álbum “bitter rivals”, achei que ia ser apenas um electropop de 2013 mas me deparei com um noise pop muito refinado e definitivamente fruto de seu tempo. a primeira metade se destaca pela energia no alto, distorção pesada nos múltiplos vocais/guitarras/synths e baterias abafadas, energia que se perde na segunda metade pra dar espaço pra mid tempos e borderline ballads, mas que contrastam bem com a primeira metade e não torna o álbum cansativo de se ouvir sem perder a coesão.

o que me impediu de gostar mais desse álbum foi o fato de soar extremamente 2013, um som que definitivamente eu não volto muito pra escutar, não sinto a nostalgia indie sleeze e me sinto numa posição meio ambígua envolvendo a volta dessa estética, pois ao mesmo tempo que era um pré adolescente durante essa época e não tive a completa experiência de um millennial e ainda tive experiência o suficiente pra não querer retornar a esse momento no espaço-tempo como um gen z de pinterest. mas o que se esperar da trilha sonora de girls..

queria destacar a faixa “sing like a wire” que me deixou extremamente gag na primeira vez que ouvi e que me deixa com vontade de tocar ela em uma banda, quebrar uma parede com um martelo ou gritar num karaoke.


አስቴር አወቀ (Aster Aweke) - እኔም ሃገር አለኝ (Inem hāgar ālene) (1983)
tizita
spotifyapple musicyoutube


primeiro álbum em amárico que ouvi na minha vida e meu primeiro contato com tizita (ትዝታ), gênero musical popular na etiópia e eritreia, pesquisando sobre o gênero, descobri que se trata de uma escala pentatônica desenvolvida pelo povo amara, nativo de etiópia e eritreia. os amaras desenvolveram um sistema musical chamado qiñit (ቅኝት), e possui quatro escalas principais e três secundárias.

o que me chamou a atenção pesquisando sobre tizita foi que a tradução da palavra seria algo como saudade no português, e se trata de uma escala musical que evoca esse sentimento no ouvinte. descobri aster aweke justamente pesquisando por artistas com músicas com sentimento de melancolia, e não me arrependi. além de melancolia o álbum ainda me deu um sentimento de paz muito forte, escutei em um dia que estava um pouco ansioso e a música conseguiu me preencher de um sentimento de “tudo vai dar certo”.

o álbum conta com uma estética lo-fi que também me lembrou os primeiros lançamentos de teresa teng (rip de vinil sem remasterização). infelizmente não tive como conferir sobre as letras pois não há tradução para inglês na internet e não confio muito na tradução automática para letras de música. o instrumental é incrível, principalmente com os pianos e teclados, presentes em todas as músicas.

o álbum me cativou muito na primeira ouvida, tem músicas com uma média de 7 minutos, chegando perto dos 9 minutos na faixa ‘lekas fikir yih new’, mas sem deixar entediante ou repetitivo demais, na verdade acredito que até acrescenta (e muito) na experiência de ouvir, acho muito bonito quando músicas utilizam do tempo longo para criar uma jornada, mesmo se você não entende exatamente o que está sendo dito. as faixas com mais de 6 minutos parece ser algo comum no tizita.


گوگوش (Googoosh) - گوگوش (Googoosh) (2011)
persian pop

geralmente não gosto muito de ouvir álbuns compilações de apenas um artista mas com a dificuldade de achar os álbuns de artistas de partes do mundo onde a indústria fonográfica não se desenvolveu como no norte global me forçou a ouvir essa coletânea de googoosh, após procurar por horas seu primeiro álbum auto-intitulado, de 1968 (ou 1971, dependendo da fonte).

não entendo uma palavra de farsi, mas acredito que consegui compreender a potência que googoosh tem no irã e no mundo persa, a ponto de entender a comparação dos jornalistas ao chamar dela de “fairuz persa” (por conta da importância da identidade nacional, melancolia, decisão de se manter no país mesmo em contexto de guerra civil/revolução, experimentação com jazz e mistura com folk, vários covers que googoosh fez de fairuz em farsi, entre outros). detalhe para a experimentação com jazz, muito comum nesse trabalho. muita utilização de instrumentos de metal, baixo e outras influências musicais ocidentais misturadas com o som farsi clássico, tornando uma experiência única.

no rip que baixei, acabou vindo as scans do booklet da compilação, e achei que completou muito bem com a experiência de escutar o álbum e conhecer mais tanto sobre a carreira de googoosh quanto sobre a história da música persa e conflitos no irã também. o que me chamou muito a atenção foi a questão da inacessibilidade na música para uma artista tão importante e renomada, apesar de ser a maior cantora persa da história, ainda é muito raro achar seus discos (para vender e ripados na internet) por conta do contexto de revolução de 1979 no irã. seus discos foram apreendidos e muitas vezes destruídos, resultando na necessidade de discos de compilação, neste caso, uma compilação de vinil 45rpm (rotações por minutos, muito comum em discos singles de 7 polegadas) e fitas cassete de garimpo.



Branko Mataja - Over Fields And Mountains (2022)
Balkan Music, Slavic Folk Music
spotifyapple musicsoundcloud


descobri esse álbum no instagram, na conta do machi7k, influenciador de música que compartilha álbuns de vários países no mundo e traz informação sobre o artista e a obra e esse álbum acabou me interessando muito. ano passado tive um momento de ouvir álbuns de artistas balcânicos (principalmente sérvia e bósnia) do gênero turbo-folk/pop-folk, mas nunca tinha ouvido realmente folk balcânico, ainda mais num álbum completamente instrumental e apenas com guitarras tocando.

branko mataja foi sequestrado por soldados nazistas quando era adolescente em 1941, ficando anos em campos de trabalho e mais tarde imigrando para os estados unidos, onde trabalhou por anos como reparador de guitarras e engenheiro elétrico e acabou gravando seu único álbum de estúdio, Traditional And Folk Songs Of Yugoslavia, independentemente em 1974. após a sua morte em 2000, David Jerković, foi atrás do filho de mataja para tentar o relançamento do disco. em 2021 o álbum foi relançado e em 2022 foi criada a compilação over fields and mountains.

o álbum é extremamente denso e muitas vezes até macabro, ainda mais pro ouvinte que conhece a história do artista antes de ouvir o disco. soa muito como uma carta de amor e memória muito distante, pois representa a dor e pesar de ter sido tirado de seu lar. num momento onde não havia muitas ferramentas de se conectar, o que conecta o artista à sua origem é a guitarra e as memórias musicais.

o uso de reverb e delay acentuam o sentimento de “memória distante”, tornando a melancolia arrastada, com um sentimento de inércia e dor. músicas como “susti bagrem beli” ou “sreo sam te” conseguem converter sons em histórias sem utilizar palavras e somente com sobreposição de sons de guitarra. definitivamente um dos álbuns instrumentais mais impressionantes que já ouvi na vida.


Χάρις Αλεξίου (Haris Alexiou) - 12 λαϊκά τραγούδια (12 Laika Tragoudia)
Entechna laika
spotify

meu primeiro contato com o gênero laika, me deixou com vontade de ouvir mais de haris alexiou


KiiiKiii - Delulu Pack
K-Pop, Contemporary R&B
spotifyapple musicsoundcloud

o k-pop tem ainda um pouco do que se orgulhar depois do fim de newjeans, pelo jeito.


Amália Rodrigues - Busto
fado
spotifyapple music

mais melancolia, o sotaque português é meio desconcertante, mas gostei muito.


Leda Valladares - Solamente
Nuevo Cancionero, Contemporary Folk
spotifyyoutube

me senti muito argentino esse mês, muito por conta desse álbum.


Juana Molina - Segundo
Folktronica, Singer-Songwriter, Ambient Pop
spotifyapple music

e desse também, juana molina me chamou a atenção com seu álbum do ano passado e quero conhecê-la melhor esse ano.


num geral gostei muito de todos os álbuns que ouvi esse mês, grandes descobertas de gêneros musicais e álbuns de países que nunca tinha ouvido música antes, pretendo continuar nessa vibe em fevereiro, e atualizarei em março ;p

bjökas


voltar!